A imigração alemã no Brasil


A imigração alemã no Brasil foi o movimento migratório ocorrido nos séculos XIX e XX de alemães para várias regiões do Brasil. As causas deste processo podem ser encontradas nos frequentes problemas sociais que ocorriam na Europa e a fartura de terras no Brasil. Atualmente, estima-se que dezoito milhões ou 10% dos brasileiros têm ao menos um antepassado alemão.
Causas da imigração
Os alemães que imigraram para o Brasil eram normalmente camponeses insatisfeitos com a perda de suas terras, ex-artesãos, trabalhadores livres e empreendedores desejando exercer livremente suas atividades, perseguidos políticos, pessoas que perderam tudo e estavam em dificuldades, pessoas que eram "contratadas" através de incentivos para administrarem as colônias ou pessoas que eram contratadas pelo governo brasileiro para trabalhos de níveis intelectuais ou participações em combates.
Os alemães não chegaram ao Brasil em grandes contingentes, como ocorreu com os portugueses e italianos. Porém, a imigração ocorreu durante longo tempo, desde 1824, com a chegada dos primeiros colonos, até aproximadamente a década de 1960, quando chegaram as últimas levas significativas. Alcançou seu número máximo na década de 1920, após a I Guerra Mundial. Houve, de certa forma, dois ciclos de imigração alemã no Brasil: o primeiro decorrente da política de colonização, sobretudo nos estados do sul do Brasil, incentivado pelo governo brasileiro, e um outro ciclo posterior, sem incentivo oficial do governo brasileiro.
                Durante muitas décadas, os alemães chegaram a ser o maior grupo de imigrante a entrar no Brasil, superando inclusive os portugueses. Esse período aconteceu em grande parte do século XIX.
                          Expansão germânica para o Brasil
Rio Grande do Sul
Em 1824 chegam os primeiros colonos alemães ao Rio Grande do Sul, sendo assentados na atual cidade de São Leopoldo. Os alemães chegavam em pequeno número todos os anos, porém eram em número suficiente para se organizar e expandir pela região.
                Nos primeiros cinqüenta anos de imigração, foram introduzidos entre 20 e 28 mil alemães ao Rio Grande, a quase totalidade deles destinados à colonização agrícola. Os primeiros colonos vieram de Holstein, Hamburgo, Mecklemburgo e Hannover. Depois, passaram a predominar os oriundos de Hunsrück e do Palatinado. Além desses, vieram da Pomerânia, Vestfália e de Württemberg.
                Outras colônias foram criadas na sequência, como Três Forquilhas, Nova Petrópolis, Teutônia, Santa Cruz, São Lourenço, Colônia Santo Ângelo, Colônia de Santa Maria do Mundo Novo, etc.
                Mapa mostrando a dispersão das colônias alemãs no Sul do Brasil em 1905.
                Em algumas décadas, a região do Vale do Rio dos Sinos estava quase que completamente ocupada por imigrantes alemães. A colonização transbordou da região, se expandindo por outras áreas do Rio Grande do Sul. É notável que a colonização alemã foi efetuada em terras baixas, seguindo o caminho dos rios. Na década de 1870, praticamente todas as terras baixas do interior do Rio Grande do Sul estavam sendo ocupadas pelos alemães, porém, as terras altas não atraíam os colonos, permanecendo desocupadas até a chegada dos italianos, em 1875.
Santa Catarina
Ao contrário do que sucedeu no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina a colonização alemã não foi promovida através do governo, mas por iniciativas privadas. A Primeira Colônia alemã no Estado foi São Pedro de Alcântara, fundada em 1º de março de 1829. As colônias alemãs mais importantes foram criadas a partir de grupos como Hermann Blumenau e Ferdinand Hackradt (em 1850 a Colônia Blumenau) e pela Sociedade Hamburguesa (em 1851, a Colônia Dona Francisca, atual Joinville), ao norte do litoral do estado. A partir do início do século XX, imigrantes alemães foram trazidos do Rio Grande do Sul para ocupar novas colônias no oeste do estado. Essas colônias já não eram exclusivamente alemãs, pois também continham outros grupos de imigrantes, principalmente italianos.
Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro foi o primeiro dentre todos os estados brasileiros a receber imigrantes alemães, tendo estes imigrantes chegado em 3 e 4 de maio de 1823, quando rumaram para a colônia suíça de Nova Friburgo. Já em Petrópolis, a imigração alemã foi concebida pelo alemão (posteriormente naturalizado brasileiro) Júlio Frederico Koeler (ou Julius Friedrich Koeler), major do Império Brasileiro. O pitoresco do projeto de Koeler foi o fato de batizar os quarteirões com nomes de cidades e acidentes geográficos das regiões (Rheinland e Hessen) de onde vinham os colonos alemães: Kastellaun (Castelânea), Mosel (Mosela), Bingen, Nassau, Ingelheim, Woerrstadt, Darmstadt e Rheinland (Renânia). As terras foram arrendadas para Koeler e, através dele, aos imigrantes, resultando em um sistema de foro e laudêmio (enfiteuse) pago aos herdeiros de Dom Pedro II até hoje. Estes imigrantes chegaram em Petrópolis no ano de 1837.
Restante do Brasil
O Sul do Brasil recebeu a esmagadora maioria dos imigrantes alemães, porém, a presença germânica no Sudeste do Brasil é notável. Em Minas Gerais, a maior colônia alemã estabeleceu-se em Juiz de Fora, onde em 1858 chegaram aproximadamente 1.200 colonos, o que representava cerca de 20% da população da cidade na época.
                Mais recentemente, a partir da década de 1970, sulistas descendentes de alemães têm migrado para a Região Centro-Oeste do Brasil em busca de melhores condições de vida no campo.

A influência alemã no Brasil
A mistura de imigrantes de diversas partes da Alemanha não criou conflitos e nem divergências no Brasil: com o passar do tempo, criou-se uma identidade teuto-brasileira compartilhada por todos. Um exemplo claro são os pomeranos. Esse povo foi, durante séculos, marginalizado pelos alemães, o que levou milhares deles a emigrar. Apesar de não se considerarem alemães, no Brasil os pomeranos acabaram sendo agrupados entre os alemães. A cidade de Pomerode, colonizada por pomeranos, é conhecida por ser a cidade mais alemã do Brasil, mesmo que os antepassados da população da cidade nem ao menos se consideravam como sendo alemães.
Em diversas localidades do Brasil, mas em especial na Região Sul, são evidentes as marcas dos imigrantes alemães. O estado de Santa Catarina é considerado o mais alemão do Brasil. Aproximadamente 35% da sua população é de ascendência alemã, a maior porcentagem dentre os estados brasileiros. As cidades do interior do estado ainda preservam a arquitetura germânica das casas, bem como a língua alemã e festas populares, como a Oktoberfest, são marcas fortes da imigração alemã no Sul do Brasil.
               Os descendentes de imigrantes alemães que se fixaram nas colônias rurais do Brasil durante o século XIX acabaram por criar uma identidade teuto-brasileira. Embora nascidos no Brasil, esses colonos mantinham laços culturais estreiros com a Alemanha natal: a língua alemã era falada pela maioria e os hábitos continuavam os mesmos, inclusive houve vários jornais de língua alemã nas colônias

A etnia teuto-brasileira
A imigração alemã no Sul do Brasil deixou marcas profundas na etnia da população. Nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, a cada três pessoas, uma tem origens alemãs. Números menores se encontram em todo o Sudeste e Centro-Oeste do país
Nacionalização, assimilação e miscigenação
Na década de 1930, o presidente Getúlio Vargas declarou guerra à Alemanha e proíbiu o uso da língua alemã no Brasil. Isso afetou imediatamente as colônias alemãs do País. Foi a partir desse momento que as colônias que ainda se mantinham isoladas no campo passaram a se abrir para a cultura brasileira e à miscigenação com outras etnias.
               Nas colônias mistas do Sul do Brasil, o casamento entre alemães e italianos tornou-se um fenômeno comum. Mesmo nas colônias etnicamente alemãs, torna-se cada vez mais raro ver-se pessoas com ascendência puramente alemã: o casamento entre descendentes de alemães com pessoas de outras etnias tornou-se algo comum.
               O projeto de nacionalização dos estrangeiros arquitetado por Vargas surtiu grande efeito. Os alemães no Brasil, de fato, viviam em um mundo à parte da realidade brasileira: confinados em colônias etnicamente alemãs, os imigrantes estudavam em escolas para alemães e tinham na sua cultura herança total germânica. Entre os descendentes, havia o sentimento de Deutschtum: mesmo nascidos no Brasil e, portanto, tendo como nacionalidade a brasileira, os teuto-brasileiros ainda viviam totalmente ligados à Alemanha.

Reavivando a cultura Teuto-brasileira
Nas últimas décadas, vê-se uma tentativa de reavivar a cultura germânica nas áreas de colonização alemã. Exemplos são festas populares, como a Oktoberfest. Todavia, tais manifestações são mais turísticas que representações de cultura étnica. A Oktoberfest, por exemplo, só se popularizou na região na década de 1980: não foi trazida pelos imigrantes, mas importada como forma de alavancar a economia regional. Cidades de colonização alemã começaram a ressuscitar a arquitetura enxaimel, trazida pelos imigrantes, embora o estilo arquitetônico estar extinto na Alemanha desde o século XVIII.
              

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